Entre batidos proteicos, iogurtes enriquecidos, barrinhas, treino de força e a preocupação crescente em preservar massa muscular, a proteína ganhou um lugar de destaque na alimentação. E há boas razões para isso. Uma ingestão adequada de proteína é importante para a manutenção da massa muscular, recuperação dos tecidos, saciedade e preservação da força ao longo da vida.
Mas, à medida que aumenta o interesse por dietas mais ricas em proteína, começa também a surgir uma pergunta: pode comer mais proteína aumentar o risco de gota?
A resposta não é um simples sim ou não. É importante perceber que nem todas as proteínas são iguais e que a gota não depende apenas daquilo que se coloca no prato.
A gota é uma forma de artrite inflamatória relacionada com a acumulação de cristais de ácido úrico nas articulações. O ácido úrico é produzido naturalmente pelo organismo durante a degradação das purinas, substâncias existentes nas próprias células e também presentes em determinados alimentos.
Em condições normais, grande parte do ácido úrico é eliminada através dos rins. O problema pode surgir quando o organismo produz demasiado ou, mais frequentemente, quando não consegue eliminá-lo de forma suficiente. Os níveis no sangue aumentam e, em algumas pessoas, formam-se cristais que se depositam nas articulações e desencadeiam uma resposta inflamatória intensa.
Uma crise de gota pode surgir de repente, muitas vezes durante a noite. A articulação fica extremamente dolorosa, quente, vermelha, inchada e tão sensível que até o contacto pode ser difícil de tolerar. O dedo grande do pé é a localização mais conhecida, mas a gota também pode afetar tornozelos, joelhos, punhos, dedos e cotovelos.
E é aqui que surge a relação com a alimentação.
Alguns alimentos ricos em proteína também contêm quantidades elevadas de purinas. As vísceras, como fígado e rins, estão entre os exemplos mais importantes. Algumas carnes vermelhas, determinados mariscos e peixes como sardinha, anchova e cavala também podem contribuir para uma maior carga de purinas.
No entanto, ser rico em proteína não significa automaticamente aumentar o risco de gota.
Esta distinção é particularmente importante numa época em que tantas pessoas aumentam a ingestão proteica. Ovos, lacticínios magros e diferentes fontes de proteína vegetal não apresentam a mesma associação com a gota. As leguminosas contêm purinas, por exemplo, mas o seu consumo não parece comportar o mesmo risco observado com determinadas fontes animais.
Também os batidos e suplementos proteicos merecem ser colocados em perspetiva. Atualmente, não existem provas consistentes de que a proteína de soro de leite, quando consumida adequadamente, seja por si só uma causa de gota.
O problema pode estar no contexto em que esse aumento de proteína acontece.
Uma pessoa pode começar a consumir batidos proteicos e, simultaneamente, aumentar muito a carne, beber pouca água, consumir álcool regularmente, ter excesso de peso ou apresentar alterações metabólicas. Neste cenário, atribuir tudo simplesmente à “proteína” seria uma enorme simplificação.
A gota resulta da interação entre diferentes fatores.
A genética tem um peso importante. Existem pessoas com maior predisposição para apresentar níveis elevados de ácido úrico, nomeadamente devido à forma como os rins o eliminam. Isto ajuda também a explicar porque duas pessoas podem ter hábitos alimentares semelhantes e apenas uma desenvolver a doença.
O excesso de peso, a resistência à insulina, a hipertensão, a diabetes, a doença renal e determinados medicamentos podem igualmente aumentar o risco. O consumo de álcool merece atenção especial, sobretudo a cerveja, assim como refrigerantes e outras bebidas açucaradas ricas em frutose.
A hidratação também não deve ser esquecida. Os rins têm um papel central na eliminação do ácido úrico e uma ingestão adequada de água faz parte de um estilo de vida favorável à sua eliminação.
Nas mulheres existe ainda uma questão particularmente interessante: a menopausa.
Antes desta fase, a gota é bastante menos frequente nas mulheres do que nos homens. Com a diminuição dos estrogénios após a menopausa, essa proteção reduz-se e o risco tende a aumentar progressivamente. Quando se juntam alterações da composição corporal, aumento da gordura abdominal, hipertensão, alterações metabólicas ou problemas renais, a atenção deve ser ainda maior.
Isto é especialmente relevante porque é precisamente a partir da meia-idade que preservar massa muscular se torna uma prioridade.
Seria, portanto, um erro transformar a proteína no inimigo.
À medida que os anos avançam, perder massa muscular significa perder força, estabilidade, capacidade funcional e, progressivamente, autonomia. Uma alimentação com proteína adequada, associada a exercício de força, é uma ferramenta importante para um envelhecimento mais saudável.
A questão certa deixa então de ser apenas “devo comer mais proteína?” e passa a ser: de que quantidade preciso, quais são as melhores fontes para mim e em que contexto estou a consumi-la?
Uma alimentação equilibrada pode incluir peixe, aves, ovos, lacticínios, leguminosas, soja, tofu, frutos oleaginosos e outras fontes proteicas, evitando que toda a ingestão fique concentrada em grandes quantidades de carne vermelha ou produtos processados.
O padrão alimentar global continua a ser mais importante do que olhar isoladamente para um único nutriente.
É também esta visão mais abrangente que se procura na consulta de Medicina Quântica no DaySpa Edite. A alimentação não é analisada como uma realidade isolada. São considerados os hábitos, estilo de vida, digestão, metabolismo, hidratação e diferentes sinais apresentados pelo organismo, procurando compreender cada pessoa de forma individualizada.
A Medicina Quântica não substitui análises clínicas, diagnóstico médico ou tratamento da gota. Quando existem sintomas compatíveis, crises articulares ou suspeita de ácido úrico elevado, a avaliação médica e os exames adequados são fundamentais. Pode, no entanto, integrar uma abordagem complementar de acompanhamento do estilo de vida e dos hábitos de saúde.
Porque dois extremos podem ser igualmente pouco sensatos: consumir proteína indiscriminadamente porque está na moda ou começar a evitá-la por medo de desenvolver gota.
A proteína continua a ser essencial. A massa muscular continua a ser um dos pilares de um envelhecimento saudável. Mas quantidade, qualidade, hidratação, saúde metabólica, função renal e contexto individual também contam.
No final, cuidar da saúde não é seguir a tendência alimentar do momento. É perceber aquilo de que o organismo realmente precisa e encontrar equilíbrio entre alimentação, movimento, descanso e acompanhamento adequado.
MEDICINA QUÂNTICA | DAYSPA EDITE
Um olhar individualizado para a alimentação, o estilo de vida e os sinais do organismo, porque preservar músculo e cuidar da saúde metabólica devem fazer parte da mesma estratégia.
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