Aplicar protetor solar todos os dias parece uma coisa simples. Na prática, nem sempre é. Há manhãs em que se sai de casa à pressa, dias nublados em que parece que não faz falta e alturas do ano em que o protetor solar fica esquecido porque não há praia, não está calor e o sol quase nem se vê. E assim, sem grande importância, vai-se saltando um dia, depois outro, e o protetor acaba muitas vezes por ser visto como um produto de verão, quando deveria fazer parte dos cuidados da pele durante todo o ano.
O problema é que a pele não conta apenas os dias de praia. Conta todos os outros também. A exposição ao sol vai-se acumulando ao longo dos anos e aquilo que hoje não se vê pode começar a revelar-se mais tarde. Uma pequena mancha que aparece e que antes não existia. Outra que começa a ficar mais escura. Rugas que se tornam mais marcadas, perda de firmeza, alterações na textura, no tom e naquela aparência uniforme que a pele tinha alguns anos antes.
Muitas pessoas só começam verdadeiramente a preocupar-se com a proteção solar quando alguma destas alterações já está visível. É natural. Enquanto a pele está bonita e não existe nada que incomode ao espelho, é muito fácil pensar que ainda há tempo. Só que, quando as manchas já apareceram ou quando os sinais de fotoenvelhecimento começam a ser evidentes, cuidar deles exige muito mais paciência, consistência e investimento.
É nessa altura que se compram produtos para as manchas, séruns para as rugas, cremes para recuperar firmeza e se procuram tratamentos para melhorar a qualidade da pele. Tudo isso pode fazer sentido e há muito que pode ser feito para cuidar de uma pele que já apresenta sinais de envelhecimento. Mas há uma pergunta que também vale a pena fazer: porque esperar que apareça para começar a cuidar?
Prevenir não significa viver com medo do sol, nem transformar a rotina de beleza numa lista interminável de obrigações. Significa perceber que um gesto tão pequeno como aplicar proteção solar pode fazer parte da forma como se cuida da pele a longo prazo.
E talvez seja precisamente por não existir um resultado imediato que o protetor solar seja tão facilmente desvalorizado. Um sérum pode deixar a pele mais luminosa. Um creme pode proporcionar uma sensação imediata de conforto. Um tratamento pode produzir alterações que se observam ao espelho. Com o protetor solar é diferente. O seu valor também está naquilo que se procura evitar.
Não é possível olhar para o rosto daqui a dez anos e saber qual seria a mancha que teria aparecido, qual seria a ruga que estaria mais marcada ou como estaria a textura da pele sem proteção. E, no entanto, é essa prevenção silenciosa que torna este cuidado tão importante.
Também não vale a pena fingir que todos os protetores solares são agradáveis de utilizar. Há quem tenha experimentado fórmulas pesadas, gordurosas ou desconfortáveis e tenha ficado com a ideia de que usar proteção todos os dias significa sentir mais um produto no rosto. Quando não se gosta da textura, quando o produto não se adapta à pele ou quando interfere com a maquilhagem, a probabilidade de ficar esquecido é muito maior.
Por isso, escolher bem também faz parte do processo.





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