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Há pais que estiveram sempre presentes. E filhos que, ainda assim, cresceram a sentir a falta deles.

Há pais que estiveram sempre presentes. E filhos que, ainda assim, cresceram a sentir a falta deles.

Há pais que estiveram sempre presentes. Estavam em casa, sentavam-se à mesma mesa, trabalhavam, protegiam, educavam e garantiam que nada faltava. Provavelmente fizeram muitos sacrifícios pelos filhos e amaram-nos da forma que sabiam. E, ainda assim, há filhos que chegam à idade adulta com uma sensação difícil de explicar: os meus pais estiveram sempre presentes, mas eu senti a falta deles.

Não faltou necessariamente cuidado. Faltou, muitas vezes, presença emocional. Faltou perguntar “Como estás?” e querer realmente ouvir a resposta. Faltou perceber que aquele silêncio escondia tristeza, que aquele comportamento diferente queria dizer alguma coisa, que por trás de uma boa nota havia uma criança à espera de ouvir “tenho orgulho em ti”. Faltou um abraço sem ser preciso pedi-lo, um elogio, interesse, tempo e aquela proximidade que nos faz sentir que somos importantes para alguém simplesmente porque existimos.

Uma criança não sabe dizer: “Os meus pais estão aqui, mas eu não consigo chegar emocionalmente até eles.” Também não consegue compreender que o pai pode ter crescido sem aprender a demonstrar sentimentos ou que a mãe pode carregar as suas próprias feridas, preocupações e ausências. A criança não conhece a história que existia antes dela. Apenas sente aquilo que recebe e aquilo que lhe falta. E quando sente que precisa de fazer alguma coisa para conseguir atenção, proximidade ou reconhecimento, adapta-se.

Pode tentar ser melhor, ter boas notas, não dar problemas, ser responsável demasiado cedo, ajudar, agradar ou fazer tudo certo. Aos poucos, começa a procurar no olhar dos pais uma confirmação do seu próprio valor. “Se eles tiverem orgulho em mim, talvez eu seja suficientemente bom. Se fizer tudo certo, talvez me vejam. Se não der problemas, talvez gostem mais de mim.” Ninguém precisa de lhe ensinar estas frases. Muitas vezes, elas constroem-se silenciosamente dentro da criança.

Depois crescemos. A vida muda, mas algumas necessidades emocionais podem crescer connosco. E aquela criança que precisava da aprovação do pai ou da mãe pode tornar-se num adulto que precisa constantemente de provar o seu valor. Trabalha mais do que precisa, exige demasiado de si, sofre profundamente quando não é reconhecido, tem dificuldade em desiludir alguém e sente que nunca faz o suficiente. Pode dar demasiado nas relações, ter dificuldade em colocar limites ou precisar de sentir constantemente que é escolhido e valorizado.

Por vezes, acontece algo ainda mais difícil de reconhecer: aproximamo-nos de pessoas emocionalmente indisponíveis. Pessoas de quem esperamos atenção, proximidade ou reconhecimento, mas que nos mantêm à distância. E voltamos a fazer aquilo que aprendemos há muitos anos: tentamos mais. Damos mais. Esperamos mais. Procuramos uma forma de finalmente sermos vistos.

Mudaram as pessoas, mudaram os lugares e passaram muitos anos, mas aquela sensação pode ser estranhamente familiar. É como se uma parte de nós continuasse a dizer: “Se eu conseguir que esta pessoa me escolha, se me valorize, se finalmente me veja, então talvez eu me sinta suficiente.”

Sem perceber, podemos passar anos a procurar nos relacionamentos, no trabalho, no sucesso ou na aprovação dos outros aquilo que desejámos receber dos nossos pais. E talvez, sem perceber, ainda exista dentro de si uma parte à espera de ser vista, reconhecida e valorizada por eles. Uma necessidade antiga que pode continuar a interferir nas suas relações, nas suas escolhas e na forma como vive determinadas situações do presente.


É precisamente aqui que a Constelação Familiar pode trazer um olhar diferente. Numa Constelação, não se olha apenas para aquilo que está a acontecer hoje. Olha-se para a pessoa dentro da sua história e do seu sistema familiar, porque nenhum de nós começa apenas em si próprio. Temos um pai e uma mãe, que também tiveram um pai e uma mãe. Existem histórias, relações, perdas, ausências, separações, silêncios e formas de amar que começaram muito antes de nós e que fazem parte do sistema ao qual pertencemos.

Olhar para os pais através da Constelação Familiar não significa culpá-los pelo que sentimos hoje. Esse não é o propósito. Muitas vezes, acontece precisamente o contrário: começamos a conseguir vê-los para além do papel de pai e mãe. Percebemos que antes de serem nossos pais também foram filhos. Talvez um pai emocionalmente distante tenha crescido com um pai que nunca o abraçou. Talvez uma mãe que teve dificuldade em demonstrar carinho também tenha aprendido a sobreviver sem o receber. Talvez tenham amado profundamente os filhos, mas só tenham sabido mostrar esse amor através do trabalho, da proteção, das regras ou da preocupação em garantir que nada lhes faltava.

Compreender isto não apaga aquilo que sentimos. Também não transforma uma infância difícil numa infância feliz. Podemos reconhecer que os nossos pais fizeram aquilo que conseguiram com os recursos emocionais que tinham e, ao mesmo tempo, reconhecer que houve coisas de que precisávamos e que não recebemos. Uma verdade não precisa de anular a outra.

É por isso que a Constelação Familiar não procura decidir quem esteve certo e quem esteve errado. Procura ampliar o olhar sobre aquilo que vivemos e perceber o lugar que cada pessoa ocupa dentro do sistema. Às vezes, chegamos com uma dificuldade numa relação amorosa e descobrimos que aquela sensação de lutar para sermos escolhidos já nos acompanha há muito tempo. Chegamos porque não suportamos sentir-nos ignorados e percebemos que essa dor toca num lugar muito anterior à relação atual. Chegamos porque precisamos constantemente de reconhecimento profissional e começamos a questionar de quem desejávamos, originalmente, ouvir “tenho orgulho em ti”.

É aqui que este trabalho pode tornar-se particularmente profundo. Não porque exista uma resposta simples para tudo aquilo que nos acontece, mas porque começamos a fazer perguntas diferentes. Em vez de olhar apenas para a pessoa que hoje não nos dá aquilo de que precisamos, podemos perguntar porque é tão importante para nós conseguir precisamente daquela pessoa aquilo que ela não consegue dar. Em vez de pensar apenas “porque é que nunca sou suficiente?”, podemos começar a perguntar “quando é que comecei a sentir que precisava de provar o meu valor para ser visto?”.

Há momentos em que percebemos que não estamos apenas a sofrer pelo que acontece no presente. O presente tocou numa dor antiga. E é por isso que certas rejeições nos atingem de forma tão profunda, determinados afastamentos nos desorganizam emocionalmente ou algumas relações parecem ter um poder sobre nós que nem nós próprios conseguimos compreender.

A Constelação Familiar pode permitir olhar para estas ligações e para aquilo que ainda carregamos da relação com os nossos pais. Não muda o passado, não transforma os nossos pais nas pessoas que gostaríamos que tivessem sido e não nos obriga a perdoar, esquecer ou aceitar aquilo que nos fez mal. O que pode fazer é ajudar-nos a olhar para a nossa história a partir do adulto que somos hoje, em vez de continuarmos a vivê-la apenas a partir da criança que ficou à espera.

Porque, às vezes, aquilo que mais nos prende não é apenas o amor que não recebemos. É continuarmos, muitos anos depois, à espera de o receber exatamente da mesma forma. Continuamos à espera do reconhecimento, da palavra, do abraço, do pedido de desculpa ou daquele “tenho orgulho em ti” que nunca chegou. E enquanto essa espera continuar viva dentro de nós, podemos levá-la para outras relações e esperar que sejam outras pessoas a preencher esse lugar.

Olhar para a nossa história pode permitir-nos perceber onde começou determinada necessidade, reconhecer aquilo que sentimos e distinguir o que pertence à relação com os nossos pais daquilo que está realmente a acontecer hoje. Não para cortar laços com o passado, mas para que o passado deixe de ocupar lugares que pertencem ao presente.

No DaySpa Edite, a Constelação Familiar é um espaço de olhar para estas dinâmicas com respeito pela história de cada pessoa e pela sua família, sem julgamentos e sem a necessidade de encontrar culpados. Há histórias que precisam apenas de ser vistas de um lugar diferente para começarmos a compreender porque determinadas situações nos tocam tanto e porque alguns padrões parecem repetir-se, mesmo quando conscientemente queremos fazer escolhas diferentes.

Talvez algumas das dificuldades que vive hoje não tenham começado hoje. Talvez aquela necessidade de ser reconhecido, o medo de não ser escolhido, a dificuldade em lidar com a distância emocional ou a sensação permanente de ter de provar o seu valor tenham uma história que merece ser olhada.

Porque há feridas da infância que não ficam simplesmente no passado. Crescem connosco e podem aparecer nas relações, nas escolhas e na forma como reagimos às pessoas que fazem parte da nossa vida atual.

E talvez uma das perguntas mais importantes seja esta: quanto daquilo que continua a procurar nos outros ainda está, no fundo, à espera de receber dos seus pais?

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