No entanto, esta maior sensibilização também trouxe um desafio: a tendência para associar rapidamente determinados comportamentos a um diagnóstico, quando podem existir outras causas igualmente importantes.
Uma criança que não consegue estar quieta, que se distrai facilmente, que interrompe constantemente os adultos ou que revela dificuldades na escola não tem, necessariamente, hiperatividade.
O comportamento infantil resulta da interação entre inúmeros fatores biológicos, emocionais, familiares e ambientais. Antes de pensar num diagnóstico, importa compreender o contexto em que essa criança vive.
O cérebro infantil ainda está em desenvolvimento
O cérebro de uma criança encontra-se numa fase de crescimento intenso. As áreas responsáveis pela atenção, pelo autocontrolo, pela organização, pelo planeamento e pela regulação das emoções continuam a desenvolver-se durante muitos anos.
Isso significa que o ambiente em que a criança cresce exerce uma enorme influência na forma como pensa, aprende, sente e se comporta.
Quando uma criança apresenta dificuldades de concentração ou um comportamento mais impulsivo, é importante olhar para além dos sintomas e procurar perceber aquilo que pode estar a contribuir para essas dificuldades.
O sono influencia muito mais do que imaginamos
Dormir bem é uma necessidade biológica fundamental.
Durante o sono, o cérebro organiza a informação aprendida ao longo do dia, consolida memórias, regula emoções e recupera energia.
Uma criança que dorme menos horas do que necessita pode apresentar irritabilidade, dificuldade em concentrar-se, impulsividade, menor tolerância à frustração e maior agitação durante o dia.
Muitas vezes, estes sinais podem ser confundidos com hiperatividade.
Criar horários regulares para dormir, reduzir estímulos antes de deitar e garantir um ambiente tranquilo pode fazer uma diferença significativa.
O impacto do excesso de ecrãs
Telemóveis, tablets, computadores e televisão fazem parte da realidade atual.
Quando utilizados com equilíbrio, podem ter utilidade. No entanto, o excesso de tempo de ecrã está associado a alterações do sono, redução da capacidade de concentração, maior impulsividade, menor tolerância à espera e diminuição do tempo dedicado ao brincar livre.
Além disso, o cérebro infantil adapta-se rapidamente aos estímulos intensos e constantes proporcionados pelos ecrãs. Como consequência, atividades mais calmas, como ler, ouvir uma história ou realizar trabalhos escolares, podem tornar-se menos estimulantes para a criança.
Por esse motivo, é importante definir limites adequados e incentivar outras experiências que favoreçam o desenvolvimento.
A importância das rotinas
As crianças sentem-se mais seguras quando sabem o que esperar.
Rotinas consistentes ajudam a organizar o dia, reduzem a ansiedade e facilitam a aquisição de hábitos saudáveis.
Horários regulares para acordar, fazer refeições, estudar, brincar e dormir contribuem para um melhor equilíbrio emocional e comportamental.
Quando estas rotinas não existem, é mais provável surgirem dificuldades de organização, maior instabilidade emocional e comportamentos impulsivos.
Brincar é uma necessidade, não um luxo
Brincar não é apenas uma forma de entretenimento.
É através da brincadeira que a criança desenvolve a criatividade, aprende a resolver problemas, melhora a linguagem, fortalece competências sociais e desenvolve a capacidade de autorregulação.
Correr, saltar, explorar a natureza, construir, imaginar e interagir com outras crianças são experiências fundamentais para um desenvolvimento saudável.
Quanto mais oportunidades existirem para brincar livremente, maiores serão os benefícios para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social.
A importância dos limites
Os limites fazem parte da educação.
Longe de serem uma forma de punição, representam segurança, previsibilidade e aprendizagem.
Quando são claros, consistentes e aplicados com respeito, ajudam a criança a desenvolver autocontrolo, responsabilidade e capacidade para lidar com a frustração.
A ausência de regras consistentes pode contribuir para comportamentos desorganizados e impulsivos, dificultando a adaptação em diferentes contextos.
A hiperatividade existe e deve ser valorizada
Reconhecer que nem todas as crianças agitadas têm hiperatividade não significa negar a existência da PHDA.
A hiperatividade é uma perturbação do neurodesenvolvimento reconhecida pela comunidade científica e deve ser avaliada por profissionais qualificados.
Quando existe um diagnóstico, o acompanhamento adequado permite melhorar significativamente a qualidade de vida da criança, da família e do contexto escolar.
Nestes casos, hábitos saudáveis como dormir bem, reduzir o tempo de ecrã, manter rotinas estruturadas e promover um ambiente familiar equilibrado continuam a ser extremamente importantes e complementam o plano de intervenção definido pelos profissionais de saúde.
Cada criança merece ser compreendida
Não existem duas crianças iguais.
Duas crianças podem apresentar exatamente o mesmo comportamento e, ainda assim, as causas serem completamente diferentes.
É por isso que cada situação deve ser analisada de forma individual, evitando conclusões precipitadas ou rótulos desnecessários.
Observar, escutar e compreender a criança é sempre o primeiro passo para encontrar as estratégias mais adequadas.
Como o Neurocoaching pode ajudar
A Neurocoach Alexandra Santos, no DaySpa Edite, acompanha crianças com e sem diagnóstico de hiperatividade.
O objetivo é complementar o desenvolvimento da criança através de estratégias adaptadas às suas necessidades.
A consulta pode beneficiar crianças que apresentam dificuldades de concentração, impulsividade, desorganização, ansiedade, baixa autoestima, dificuldades de aprendizagem, desafios na gestão emocional ou na criação de rotinas.
Ao trabalhar em conjunto com a criança e a família, procura desenvolver competências como a autorregulação emocional, a organização, a motivação, a autonomia e hábitos que favorecem um desenvolvimento mais equilibrado.
Cada criança possui capacidades únicas. Quando recebe o apoio adequado, num ambiente de compreensão e respeito pela sua individualidade, torna-se mais fácil desenvolver o seu potencial e construir bases sólidas para um futuro mais saudável, equilibrado e feliz.
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